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O uso abusivo de Psicofármacos

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Vivemos num momento em que a medicação tem uma grande ascensão diante da vida contemporânea. Hoje pode-se tomar pílulas para dormir, emagrecer, manter a juventude, recuperar a memória, a atenção, o desempenho sexual, atingir o bem-estar, ser mais produtivo e, ser feliz. Ao mesmo tempo, observamos que as depressões e os sofrimentos íntimos do ser humano têm aumentado cada vez mais. É verdade que entre os anos de 1960 e 1970, a depressão se estabelece no meio da medicina geral e se expande para toda a população, por intermédio da mídia. Sejam os laboratórios, as revistas, os jornais, a televisão, etc. todos cumprem seu papel de propagadores. É como se esse fosse o momento ideal para o ser humano se sentir feliz, pois o psicofármaco vem atuar como um antídoto para o mal-estar da modernidade. Num sentido contrário, observa-se um aumento de um mundo solitário, individualista, os comportamentos coletivos reduzem produzindo ainda mais um desamparo nas pessoas. É o bem-estar da auto-suficiên...

Os Impossíveis da Vida

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Caro leitor, o trabalho profissional consome boa parte da vida da gente. A ele dedicamos muitas vezes toda nossa vida, em capacitações e aperfeiçoamentos. O caso da Psicanálise, que é considerada uma ética e não uma técnica, principalmente por ao se ter um manual para ensinar a praticá-la. Em nosso trabalho lidamos com a subjetividade, com o inconsciente, com uma verdade singular para cada sujeito. Trabalhamos com o falar sem censura das palavras (ao que chamamos de Associação Livre). Freud em “A questão da análise leiga” (1926) falava do poder da palavra e na exigência cautelosa do seu manuseio pela transferência (que é a relação de amor estabelecida entre o analista e o cliente e que faz com que a análise funcione), sem sugestões e concessões. Garantindo uma escuta atenciosa e cautelosa que faz toda a diferença. Freud também em outra ocasião coloca-nos o quão é difícil além de analisar, também o educar e o governar. Ambos apontam para uma complexa rede de processos culturais, pois...

TURBILHÃO DE EMOÇÕES

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Gostaria hoje de partilhar com vocês, caros leitores, dois tipos de transtornos que nos últimos tempos têm aparecido muito na clínica psicanalítica. O primeiro deles é marcado por mudanças de humor repentinas, mentiras que prejudicam os outros, impulsividades, reações imprevistas, explosões de raiva desproporcionais e de desequilíbrio financeiro, são os principais sintomas das pessoas com Transtorno Personalidade Boderline (TPB). Considerado um transtorno fronteiriço entre duas estruturas de personalidade – neurose e psicose – as pessoas com esse tipo de transtorno têm uma certa vulnerabilidade emocional, extrema sensibilidade à crítica e o medo do abandono, não gostam de se expor, sempre acuado em relação às suas próprias emoções, mas com tendências a reagir mais intensamente aos níveis de estresse, inclusive o simples comentário de uma pessoa pode detonar uma crise. A família também acaba sofrendo com esse tipo de transtorno, pois se culpam, principalmente por não entenderem a si...

RAPIDINHAS DO DIVÃ: Eu odeio o dia dos namorados

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Ontem assisti ao filme: "Eu odeio o dia dos namorados" que fala sobre Genevieve, uma mulher que adora flores e o Dia dos Namorados. Quer dizer, adora porque isso incrementa as vendas de sua floricultura. No fundo, ela detesta relacionamentos. Em muitos romances anteriores, ela acabou machucada e por isso optou por manter apenas casos, deixando os homens distantes de seu coração. O amor se tornou um jogo para ela, e a vitória é garantida já que nunca se envolve o suficiente. Quando conhece Greg, um homem bonito e agradável, Genevive tenta ensinar suas artimanhas contra o relacionamento duradouro, mas os dois acabam se envolvendo mais do que deveriam – ou gostariam. Na verdade, uma comédia romântica bem elaborada onde traz os conflitos amorosos sob a perspectiva dos dois lados - homem e mulher, buscando formas de compreender o sexo oposto nas relações amorosas e também de estabelecer um vínculo. Apesar da sutileza, mostra que temos muitos conflitos ligados aos relacionamento...

Psicanálise e Religião

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Apesar do mês de janeiro já estar quase acabando, gostaria de registrar alguns detalhes do fim de ano, que talvez salve um pouco o efeito consumismo do momento que nos trás o Natal. Momento que pouca gente parece se dar conta do ato que é o presentear e que pode também ser um gesto sublime. E isto ocorre justamente no dia em que celebramos o nascimento de Jesus. Os reis magos que levaram presentes para o menino Jesus na manjedoura ganham vida nessa época, de certa forma, na fantasia encarnada de Papai Noel. Esse gesto pode representar a celebração do milagre da vida, quando além do presente, algo mais pode surgir do ato. Principalmente quando vem de quem menos esperamos. É surpresa na certa! E isso aconteceu comigo. Por isso até resolvi partilhar com vocês leitores o presente, o livro: “Jesus, o maior Psicólogo que já existiu.” De Mark W. Baker. Trata-se de uma abordagem original da relação entre ciência e religião, ligando os principais ensinamentos de Jesus às descobertas da psicolog...

Balanço de Fim de Ano

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Apesar de o ano de 2011 já ter chegado, vale lembrar que todo final de ano é momento de balanço, de lembrarmos do que fizemos, as comemorações, os amigos, ganhos e perdas, alegrias e tristezas. E assim fico me perguntando: Com quem estarei neste fim de ano? O que vou dizer aos amigos, parentes e a mim mesmo? E o que significa o Natal em nossos corações e o que quer dizer o término de um ano? As cidades estão enfeitadas e brilham com o espírito de mais um ano se findando e embora seja uma simples convenção, simbolicamente é momento de renovação, de passagem para uma vida nova em mais um ano novo. Assim repetimos rituais. É um período em que as emoções são manifestadas de diferentes formas. É época de pilha nova nos ideais. Tem pessoas que passam o ano acomodadas, sem pensar em nada e quando chega ao final do ano, lembram dos mais necessitados, faz doações para diminuir a culpa. É incrível a capacidade do ser humano de olhar só o que quer, acreditar no que quer e negar o que não lhe inte...

Quem ama trai?

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Outro dia fui pego por uma cliente me fazendo esta seguinte pergunta à qual resolvi partilhar com vocês leitores. Em pleno século 21, podemos observar que a mulher está cada vez mais independente, mas não podemos dizer que há uma igualdade entre homens e mulheres quando o assunto é relacionamento. Vemos, que as relações amorosas enfrentam diálogos e acordos que eram “inadmissíveis” até pouco tempo atrás e hoje em dia há uma maior flexibilidade nos relacionamentos. E quanto à traição? Alguns especialistas afirmam que o problema é mais grave e também gera um maior sofrimento. Principalmente diante da modernidade – na era do consumo – é possível presenciarmos as pessoas desenvolverem um sentimento de posse, com a mentalidade do consumo, aflorando ainda mais o sentimento da pessoa traída. E não esquecemos o outro lado da moeda: pessoas que buscam relacionamentos como um fast-food, sem se prender a ninguém, numa grande relação onde os valores acabam diluídos e, o outro não tem importância n...