Postagens

V ENAPOL

Imagem
Na semana passada pude participar no Rio de Janeiro, do V Encontro Americano de Psicanálise de Orientação Lacaniana e, do XVII Encontro Internacional do Campo Freudiano, com o tema: “A saúde para todos, não sem a loucura de cada um” (perspectivas da psicanálise). Tal título nos é provocativo e vem de encontro ou melhor dizendo, em confronto com nossos ideais sejam de controle, sejam de uma clínica devastadora. Mas o que mais nos importa é que a “saúde para todos” não é possível sem a loucura de cada um. Além de trabalhar o tema onde o sistema de saúde se organiza através de protocolos e estatísticas, sempre na pretensão de resolver os problemas de ordem pública, numa espécie de normatização completa que mais cristaliza o sujeito na posição de um doente, do que a cura propriamente dita. Para nós psicanalistas o termo “saúde para todos” não se aplica pois somos da abordagem um a um, em sua singularidade, sempre conduzindo o sujeito à sua diferença absoluta. A esse discurso singular e p...

Divã

Imagem
Baseada no livro de Martha Medeiros, a história que se transformou em peça de teatro, virou filme e agora ganha a telinha com as divertidas experiências de Mercedes (Lilia Cabral), uma mulher de classe média, feliz, mãe de dois filhos e apaixonada pela arte. Depois de receber alta de Lopes e passar algum tempo afastada da terapia, Mercedes decide voltar ao divã em busca de novas respostas para seus questionamentos. E aí, cada história mostra o universo feminino de forma descontraída e divertida, sempre às voltas com suas emblemáticas colocações psicanalíticas. Desde seu envolvimento com um homem casado, até o lado solidário é possível desenvolver e descobrir o poder da amizade. Temas sempre muito atuais que nos remete à nossa própria existência e nossos diversos questionamentos. No episódio do dia 10 de maio, Mercedes lida com o tema da internet e se arrisca às novas experiências. E assim, através de sites de relacionamentos, salas de bate papo vai conhecendo pessoas que o mundo vir...

O caso Wellington

Imagem
Mesmo que já se tenha se passado algum tempo, nas rodas com os amigos, ainda se fala do episódio em Realengo no Rio, onde um jovem rapaz pôs fim à vida dele e de outras 12 crianças, num massacre violento que ainda choca muitos de nós. Há ainda muito o que se elaborar a respeito do ocorrido. Muitos especialistas dizem que a violência ocorrida é pela falta de segurança, outros pelo “bullying” sofrido na infância. Mas é muito difícil saber... o que podemos intuir é que este jovem rapaz tinha um grande problema em relação à realidade. Tal fato pode ser determinado pelo que chamamos de psicose onde o que ele sente ou pensa não condiz com a realidade, aparecendo aí delírios e alucinações, achar que é perseguido por alguém, sentir cheiros ou gostos de forma que não existam... e, só é possível um diagnóstico preciso quando é possível perceber esses tipos de reações esquisitas que a pessoa sofre. E no caso do Wellington é possível perceber isso através dos vídeos encontrados, nos quais a fala ...

As melhores coisas do mundo

Imagem
O filme “As melhores coisas do mundo” retrata de forma extremamente sensível os conflitos de dois irmãos adolescentes que têm que lidar com a separação dos pais, o fato do pai assumir o relacionamento com um rapaz – a questão dos novos relacionamentos no mundo contemporâneo. Desde os novos pares parentais, constituídos das mais diversas formas, seja as mães assumindo todas as funções em casa, os jovens e seus conflitos amorosos – sejam encontros e desencontros, agradáveis e dolorosos, a vivência da verdade frente às dificuldades na separação, no lidar com a falta do outro que teima em fazer falta, enfim, no contexto dos adolescentes que são informados pela separação dos pais e a nova relação homossexual do pai, desenrola todo um enredo que nos dá uma grande chance de refletir sobre questões tão atuais que esbarram em nós de alguma forma. São várias as associações de idéias que vêm a cada telespectador que assiste ao filme e dele pode tirar o melhor que há, seja através de angústias qu...

O uso abusivo de Psicofármacos

Imagem
Vivemos num momento em que a medicação tem uma grande ascensão diante da vida contemporânea. Hoje pode-se tomar pílulas para dormir, emagrecer, manter a juventude, recuperar a memória, a atenção, o desempenho sexual, atingir o bem-estar, ser mais produtivo e, ser feliz. Ao mesmo tempo, observamos que as depressões e os sofrimentos íntimos do ser humano têm aumentado cada vez mais. É verdade que entre os anos de 1960 e 1970, a depressão se estabelece no meio da medicina geral e se expande para toda a população, por intermédio da mídia. Sejam os laboratórios, as revistas, os jornais, a televisão, etc. todos cumprem seu papel de propagadores. É como se esse fosse o momento ideal para o ser humano se sentir feliz, pois o psicofármaco vem atuar como um antídoto para o mal-estar da modernidade. Num sentido contrário, observa-se um aumento de um mundo solitário, individualista, os comportamentos coletivos reduzem produzindo ainda mais um desamparo nas pessoas. É o bem-estar da auto-suficiên...

Os Impossíveis da Vida

Imagem
Caro leitor, o trabalho profissional consome boa parte da vida da gente. A ele dedicamos muitas vezes toda nossa vida, em capacitações e aperfeiçoamentos. O caso da Psicanálise, que é considerada uma ética e não uma técnica, principalmente por ao se ter um manual para ensinar a praticá-la. Em nosso trabalho lidamos com a subjetividade, com o inconsciente, com uma verdade singular para cada sujeito. Trabalhamos com o falar sem censura das palavras (ao que chamamos de Associação Livre). Freud em “A questão da análise leiga” (1926) falava do poder da palavra e na exigência cautelosa do seu manuseio pela transferência (que é a relação de amor estabelecida entre o analista e o cliente e que faz com que a análise funcione), sem sugestões e concessões. Garantindo uma escuta atenciosa e cautelosa que faz toda a diferença. Freud também em outra ocasião coloca-nos o quão é difícil além de analisar, também o educar e o governar. Ambos apontam para uma complexa rede de processos culturais, pois...

TURBILHÃO DE EMOÇÕES

Imagem
Gostaria hoje de partilhar com vocês, caros leitores, dois tipos de transtornos que nos últimos tempos têm aparecido muito na clínica psicanalítica. O primeiro deles é marcado por mudanças de humor repentinas, mentiras que prejudicam os outros, impulsividades, reações imprevistas, explosões de raiva desproporcionais e de desequilíbrio financeiro, são os principais sintomas das pessoas com Transtorno Personalidade Boderline (TPB). Considerado um transtorno fronteiriço entre duas estruturas de personalidade – neurose e psicose – as pessoas com esse tipo de transtorno têm uma certa vulnerabilidade emocional, extrema sensibilidade à crítica e o medo do abandono, não gostam de se expor, sempre acuado em relação às suas próprias emoções, mas com tendências a reagir mais intensamente aos níveis de estresse, inclusive o simples comentário de uma pessoa pode detonar uma crise. A família também acaba sofrendo com esse tipo de transtorno, pois se culpam, principalmente por não entenderem a si...