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Escolhas possíveis

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Engraçado como as pessoas sempre estão em busca de soluções fáceis para o dia a dia delas. Recentemente, em meu consultório me deparei com uma situação, corriqueira, diga-se de passagem. Um cliente, por volta dos seus 30 e poucos anos queixava da dificuldade que é arrumar uma parceira nos dias de hoje. Claro, que ele tem a nítida noção de que vivemos em um mundo onde as escolhas são muito rápidas e também o consumo é no estilo fast food. Até aí nenhuma novidade. Mas a surpresa vem sempre através das respostas rápidas que o sujeito busca e da frustração que ele se coloca quando percebe que também ele se implica em tal situação, já que as escolhas dele também são desse tipo. Sempre com duas ou mais parceiras, de forma que se uma não da certo aqui, é só chamar a outra, e assim vai levando a vida. Ao ser indagado sobre suas escolhas, ele se surpreendeu, mas não quis aprofundar muito. Como sempre fazem. Logo em seguida soltou a máxima: “- Doutor, não tem um remedinho que possa me ajudar?”...

Angústia

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Tem dia que a gente busca respostas às questões mais essenciais que nos toca lá do fundo de nossa existência. Mas digo essencial, para mim pois para você caro leitor, pode não ser tão essencial assim. Deixemos de lado essa questão e falemos sobre o assunto em questão: angústia! A gente se pega em determinado momento da vida fazendo retrospectivas. Da vida. Muitas vezes, percebemos que a angústia é minha companheira de forma rotineira. Incomodado, angustiado, paro. Tento sair desse estado a que me encontro. Tento olhar de fora, aliás, para fora e observar a paisagem, como alguém observa um quadro. Vejo nos detalhes possíveis explicações para a angústia, sentimento tão universal e tão comum. Sentimento de impotência, de vazio. Então, é preciso agir! Freud definiu a angústia como uma transformação da tensão sexual acumulada, que não consegue sua descarga por via psíquica. Ele a considerou num segundo momento como uma reação do eu diante de um perigo interno, de uma exigência de libido ...

A vida é uma arte de muito empenho e pouco proveito

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Outro dia lendo um artigo sobre psicanálise em um jornal, me chamou a atenção quando dizia o quanto amamos os sábios, pois temos em nosso imaginário que eles sabem lidar com as adversidades da vida. Mesmo porque, estamos sempre buscando soluções para nossos problemas ou quem sabe alguém que resolva-os para nós. Toda essa busca por uma resposta, por alguém ao nosso lado, vem da impossibilidade de encontrarmos uma verdade única, absoluta sobre qualquer coisa que seja, ou por nós mesmos. Mas a verdade é múltipla e, cada um se serve dela como lhe convém. Por isso as pessoas têm diferenças. Somos diferentes, divergimos dos outros, causamos conflitos em nossas relações; e a comunicação é muito importante e perigosa, pois da mesma forma que pode esclarecer muita coisa, também pode gerar muitos equívocos, erros em interpretações. Lembro agora da relação mãe e filho que enquanto na barriga é única, completa e, logo ao nascer presentifica a separação e desta separação vem a falta, o resto que ...

Nosso inconsciente e o amor

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Existem momentos em nossas vidas que passamos buscando entendimento para determinadas atitudes que vivenciamos seja pelos outros conosco, seja de nós mesmos com os outros. São os equívocos que nosso inconsciente teima em mostrar pro mundo e principalmente pra gente. Nossa experiência inicial, de nascimento, deve ser terrificante, um desamparo absoluto, forçado a sair de um ambiente totalmente harmonioso, aconchegante, dependente do outro que cuida de nós. Essa experiência deve ser de certa forma vir em nossas mentes em algumas situações. Penso isso pois, muitos de nós, quando terminamos alguns relacionamentos passamos por situações tão terríveis, de sentimentos que parecem insuportáveis, sem sentido lançando-nos em passagens ao ato, às quais podem produzir mais sofrimento pois agimos em lugar do pensar, fazemos em lugar do sofrer, acabamos com tudo para evitar a dor, o luto pela perda que parece insuportável nos provoca, em nosso íntimo, sentimentos muitos deles, perversos, que desej...

O Esgotamento da vida e as drogas

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Hoje estava lendo uma parte do livro do Padre Fabio e do Gabriel Chalita, “Cartas entre Amigos” que me fez refletir um pouco sobre o momento em que acabamos de viver que é o carnaval – nossa maior festa. Retratada pelo mundo afora, através das nossas diversões, as brincadeiras, os foliões, os blocos, sempre com muita gente que sabe se divertir. Também temos um outro lado, de esgotamento da vida roubada, de jovens que se divertem sem as devidas considerações pelas escolhas que fazem, das desonestidades afetivas, entregam-se ao nada. São muitas as festas fartas de vazios de significados. Bebemos para esquecer e amamos sem amor na busca de preencher o nada da vida. Nosso vazio sempre mostrando sua cara, seu buraco. Tive oportunidade de presenciar, recentemente em uma determinada festa de pré-carnaval, situação que me fez lembrar num grande filósofo Hegel que chamava de Espírito do mundo, a uma rede de relações sem fim. Dizia ele que o homem não pensa, é o espírito que pensa através del...

O caminho da vida

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Às vezes não temos muito o que dizer e mesmo assim insistimos em dizer, buscar explicações, para aquilo que já começou com cara de que não ia dar certo ou mesmo que não tinha como dar certo e, meio que com um ideário de herói, insistimos como que guerreiros na tentativa em vão de pagar pra ver o que vai dar! E o preço pode ser muito caro. Assim muitos de nós caímos nas armadilhas que a vida nos oferece: o envelhecimento, as doenças, as separações, as perdas... Lidamos mal com esses acontecimentos porque procuramos segurança, estabilidade... resistimos às mudanças que a vida nos promove. Somos apegados às coisas e às pessoas. Como é difícil equilibrarmos o Real com o Ideal da Vida. Por sermos seres sociais, somos carentes do contato social, afetivo. As relações ligadas à família, à amizade são fundamentais para nosso bem estar e equilíbrio psíquico. É importante compreendermos a o caminho da vida e seguir caminhando, passando por pedras, terra, caminhos belos e feios, agradáveis e de...

Ideais demais, frustrações também!

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Ontem comentava do sofrimento das pessoas nos relacionamentos. É muito complicado aferirmos algo sobre como superar determinados sentimentos dolorosos quando um relacionamento acaba ou está em desgaste, mas as diferenças subjetivas são muitas e o desejo de cada um vai aparecendo e em alguns casos, a distância vai aumentando também. Quando nos apaixonamos, acreditamos ter encontrado o par perfeito. Ficamos felizes e completos, como se tivesse acabado com a nossa falta existencial – a castração (a incompletude, a solidão....). A psicanálise nos ensina que somos díspares, ou seja, não fazemos par. Nos anulamos pelo outro como se isso nos fizesse iguais, sem diferenças. Puro engano. Observo alguns casos no consultório de pessoas, após o término de um relacionamento, acreditarem que agora descobriram que amam o parceiro, que até bem pouco tempo, diziam estarem esgotadas, não quererem mais. Mas o inevitável aconteceu. Depois de tanto falar que não queria mais, que o parceiro fosse embora...