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Síndrome do Pânico e Psicanálise

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Nos dias de hoje, somos tomados por uma sensação de desamparo muito grande. Não temos garantia de nada! Falar da tão falada Síndrome do Pânico é falar de um afeto extremo de angústia despertado pelo sentimento de desamparo que acomete o sujeito em algum momento de sua vida. Esse afeto, nos deixa a sensação de estarmos completamente desamparados, sem garantias de nada na vida. Podemos morrer a qualquer moomento, mas não deixamos de viver o cotidiano, seja com todos os riscos que ela proporciona. O que para certas pessoas essa condição é extremamente insustentável e, sempre com uma ilusão de que haverá uma estabilidade do mundo que trará garantias de se ver protegido das angústias. A psicanálise vem com o intuito de levar o paciente a se implicar no seu sofrimento, ou seja, a se questionar sobre o que acontece com ele, falando e procurando sentido a partir de sua história. É preciso criar condições para que o paciente possa subjetivar sua condição de desamparo. É comum encontrarmos em qu...

Triunfo da Religião

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Recentemente li o livro que tem como título o “Triunfo da Religião, Precedido de Discurso aos Católicos”, de Jacques Lacan que, não é fácil, pois entender Lacan também não é. Para isso, agarremos às máximas que o psicanalista vai deixando pelo caminho e tentando arrancar delas alguma dedução lógica ou conclusão que possa nos acalentar. Ao ler mais esse livrinho, fiquei curioso com o título, principalmente saindo da boca de um psicanalista como Lacan. Ele comenta que Freud nunca falou da posição do cientista, porque essa assunto era tabu para ele. E sobre o fim da religião, Lacan vai em direção contrária, prevendo um retorno religioso em nosso tempo em conexão estreita com os avanços da ciência. Lacan fala que “a religião não triunfará apenas sobre a psicanálise, triunfará sobre muitas outras coisas também. (...) O real, por pouco que a ciência aí se meta, vai se estender, e a religião terá então muito mais razões para apaziguar os corações”. Como sabemos que não há muita transparência ...

Nomes-do-Pai

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No livro de Jacques Lacan: "Nomes-do-pai", da Editora Jorge Zahar, presenciamos o desenvolvimento de um termo que vai de encontro com a paternidade, de pouquíssima evidência natural e mais um fato cultural. É o Nome-do-Pai que cria a função do pai. Como este não é uma figura, e sim uma função, não tem Nome próprio: Tem tantos nomes quantos suportes tem sua função. E qual é ela? A função religiosa por excelência: ligar o significante e o significado, Lei e desejo, pensamento e corpo. Unir o simbólico e o imaginário, na presença constante do real. É no Nome-do-Pai que devemos reconhecer o suporte da função simbólica que identifica sua pessoa à figura da lei. Ou seja, trata-se de uma função cujos efeitos são inconscientes. As relações que o sujeito mantém com a imagem e ações da pessoa que a encarna são indicadores para a escuta clínica. O complexo de Édipo, introduzido pela psicanálise, marca a discordância entra função simbólica da ordenação e a encarnação dessa função. O mi...

Entrevista em Psicanálise

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Recentemente fui convidado a responder algumas perguntas sobre meu trabalho na região. Resolvi partilhar com vocês essa entrevista: O que faz um psicanalista? A psicanálise é um processo de terapia que busca a transformação da pessoa através da compreensão de seus problemas. Enquanto o sujeito fala tudo que vem à sua cabeça, o psicanalista através da sua escuta, interpreta e auxilia no seu autoconhecimento. Por quê do divã na análise? Ao deitar no divã, o cliente de costas para o analista, fica mais relaxado sem o contato visual, facilitando a introspecção e evitando a distração com a observação de eventuais reações que o analista tiver. Mas não é sempre que se usa o divã. É preciso cautela e cuidado. Muitas vezes, temos reações que não gostaríamos de ter. Por quê disso? São as manifestações do nosso inconsciente, como se ele tivesse nos pregando uma peça. Um exemplo clássico é a troca do nome do namorado ou marido pelo do ex-namorado. É como se fôssemos divididos em dois: uma me...

O desejo do Psicanalista e seu trabalho

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O desejo da Psicanálise fala mais alto. Mas como é difícil falar desse, sem retomar aos 4 anos distantes que deixei pra trás, quando criei este blog para exercitar a psicanálise pela escrita e também mostrar um pouco de minha vida e meus momentos. Nesses últimos anos, não estive longe da Psicanálise, muito pelo contrário, ela esteve em mim mais do que nunca, pois meus estudos continuaram, meus cursos e também meus congressos que não deixei de participar. O que ficou a mais foi minha dedicação nesse período, à Gestão de Saúde que exercitei tanto na Secretaria Municipal de Saúde de Ipanema, como depois e atualmente, na Secretaria Executiva do Consórcio Intermunicipal Multissetorial do Entorno do Caparaó – CIS-Caparaó, na administração de 13 municípios da região, em serviços e transporte em saúde e iluminação pública. Nesse período, como disse não deixei a Psicanálise de lado, muito pelo contrário, dediquei ao meu consultório como há muito não dedicava e foi assim que ele deu margem par...

Política e Psicanálise, uma escolha.

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A vida é feita de escolhas. Elas moldam a vida da gente como o chapéu é moldado pelo dono à sua cabeça. Muitas pessoas têm me perguntado sobre o por quê de eu não ter me candidatado este ano para o cargo de vereador. Não é fácil responder à pergunta, mas se pensarmos na escolha, esta é uma boa resposta. Nos últimos meses tomei algumas decisões e entre elas está a psicanálise e meu retorno à um aprofundamento da teoria que me leva de encontro com minha clínica que é meu trabalho hoje. A contribuição de Freud para o esclarecimento do fenômeno político pode também levar a esse esclarecimento inicial. A preocupação de Freud com o “social” acentuou após a Primeira Guerra. Nos seus dois ensaios de 1915 e outro de 1922, procurou mostrar a hipocrisia da sociedade moderna e o caráter primário das tendências agressivas. Admitindo que o nosso inconsciente mata, mesmo por motivos insignificantes, vê na eclosão da guerra uma prova disso. Os homens não desceram tão baixo por ocasião da guerra, d...

Agressividade no Divã

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Esta semana tive dois casos que gostaria de compartilhar com vocês. O primeiro diz respeito a um rapaz que chega contando que no fim de semana teve um desentendimento com o ex-namorado. Uma história de mais de 5 anos entre idas e vindas e que no final muita agressividade e traições presente na relação a ponto de tornar-se insuportável a convivência entre ambos. Atualmente, separados, mas com alguns encontros esporádicos. Nesse último, depois de uma noite de muita bebida, ambos desentenderam e brigaram a ponto dos vizinhos incomodados, chamarem a polícia. Tal cena repercutiu durante a semana junto aos colegas de trabalho deste meu cliente que envergonhado chega à sessão de análise relatando tal ato. Como é difícil entender o término de algo que não tem mais jeito. Outro caso é de uma cliente que recém separada do marido, tem um encontro com o mesmo, de forma como a mesma disse ‘enlouquecedora’ mas que depois do ato, veio o vazio enorme, avassalador. Com sentimento de arrependimento...